Muitos empresários procuram a Yenom para obterem auxílio na hora de avaliar seu maior ativo (ou seja, a própria empresa) no caso de uma eventual venda. Também não são raras as situações onde investidores e partes interessadas em adquirir um negócio buscam ajuda para compreender o valor e o potencial de uma empresa que está a venda.

O processo de valuation de uma empresa pode ser bastante complexo e confuso para muitos, por isso resolvemos escrever este pequeno guia.

É importante ter em mente que existem diversas maneiras de avaliar a mesma empresa e que nenhuma delas é de fato a única correta, porém é extremamente fácil cometer erros de cálculos e premissas. No final do dia uma empresa vale o preço que for acordado entre o comprador e o vendedor, mas o processo de valuation, principalmente utilizando a metodologia do Fluxo de Caixa Descontado, leva em consideração aspectos importantíssimos para a avaliação, como:

  • Crescimento e lucratividade;
  • Know how e tradição;
  • Competência da gestão e funcionários;
  • Cultura da empresa e planos de expansão e outros aspectos também importantes.

Outras metodologias ignoram completamente esses fatores tão importantes que agregam muito ao valor da empresa, embora sejam ainda úteis para uma estimativa rápida ou quando a empresa está tendo prejuízos.

Ao longo deste artigo você entederá melhor estes assuntos:

  • Como vender a empresa faturando;
  • Como vender empresa com prejuízo;
  • Avaliação de empresas para a venda (e também compra);
  • Como avaliar uma empresa prestadora de serviços e de produtos.

1º Passo: Prepare-se para a avaliação

Em primeiro lugar é muito importante que a empresa tenha os documentos contábeis (DRE – Demonstrativo do Resultado do Exercício e BP – Balanço Patrimonial) em dia. É incrível como algumas empresas pequenas e médias que faturam milhões não dão tanta atenção a este item tão importante na vida empresarial.

Tanto no papel de vendedor como de comprador você terá que ou providenciar tais documentos atualizados ou pedir para a outra parte que se certifique que os documentos estão em dia.

Além disso é indispensável que a própria gerência possua os relatórios financeiros como fluxo de caixa, contas a pagar e a receber também atualizados.

Outros documentos também importantes no processo de valuation (somente para fins de exemplificação):

  • Business Plan ou planejamento estratégico (se houver);
  • Contrato Social;
  • Carteira de clientes;
  • Plano de marketing e comunicação;
  • Relatório do Google Analytics (caso a empresa faça prospecção e venda online);
  • Outros documentos.

Vale lembrar que os documentos necessários variam de empresa para empresa. Os exemplos acima são totalmente genéricos. Entrevistas com funcionários e diretores também serão necessárias para que se gere um bom resultado do método.

Outro ponto importante de ressaltar é a prática de algumas empresas de não registrar todas as vendas ou custos, que afeta diretamente o valuation e será um pouco mais desenvolvido a seguir.

Empresas que vendem “por fora” ou não registram todas vendas e despesas

As empresas que tem por hábito vender ocasionalmente sem nota fiscal costumam dar mais trabalho na hora de realizar o processo de valuation pois os documentos financeiros deverão ser reajustados pelo analista.

Caso você esteja fazendo a avaliação por conta própria e ignore completamente as receitas e despesas “por fora” o resultado do valuation será impreciso. É importante que o procedimento seja totalmente transparente, tanto para quem compra como para quem vende.

Esse é um dos motivos que muitos empresários acabam contratando especialistas na área, pois tais ajustes às vezes não são tão fáceis de fazer.

Também existe a possibilidade dos sócios estarem fazendo retiradas em excesso, tanto para si quanto para a sua família. Embora seja desconfortável tocar nesse ponto, às vezes o negócio é muito mais lucrativo do que no papel, pois os sócios podem estar exagerando nas retiradas, portanto também se faz necessário que o avaliador faça o ajuste nessas contas também.

2º Passo: Avaliando o Negócio

Após analisar os documentos da entidade é possível constatar se a mesma é lucrativa ou não.

Caso o negócio seja lucrativo ou está em vias de se tornar lucrativo o método mais recomendável é o do Fluxo de Caixa Descontado. Estamos afirmando isso pois esse é o método mais robusto existente que consegue capturar qualquer fator que gere valor para a empresa, como: know how, competência da gestão, tradição e etc. Falaremos em seguida sobre ele.

Agora se a empresa está gerando prejuízo e não existe uma perspectiva no curto ou médio prazo para que a situação mude é sinal que ela passará por grandes dificuldades e provavelmente irá encerrar suas operações.

Caso isso aconteça o método mais adequado é realizar a avaliação patrimonial de mercado.

IMPORTANTE: Não iremos dissertar sobre o método de múltiplos de mercado pois o foco deste artigo são as micro, pequenas e médias empresas. Portanto, para se obter um múltiplo seja de faturamento ou qualquer outro, fica complicado pois se faz necessário conhecer empresas parecidas e do mesmo porte sendo negociadas na sua região. E mesmo quando tais negociações ocorrem, estas são privadas e os termos da negociação não são revelados, pelo menos nunca na sua totalidade. Por estes motivos não iremos falar sobre este método.

Avaliando Empresas que geram pouco lucro ou estão perdendo dinheiro (PL Ajustado)

Essa metodologia é conhecida como Avaliação Patrimonial (Patrimônio Líquido Ajustado). Também é utilizada em situação como:

  • Encerramento das atividades;
  • Liquidação / Falência (necessário depreciar ainda mais os ativos);
  • Falta de compradores pelo valor potencial (rentabilidade futura);
  • Quando a empresa gera prejuízo e/ou possui muitas dívidas.

É possível observar rapidamente que esse método apenas levará em conta os ativos tangíveis que a empresa possui e que podem ser vendidos rapidamente.

Logo, podemos resumir que este método revela o valor base (ou mínimo) de uma empresa.

Muitos negócios valem muito mais do que apenas seus ativos tangíveis, portanto o método mais adequado nesse último caso seria do Fluxo de Caixa Descontado, que leva em consideração o potencial da organização em faturar e lucrar (geração de caixa).

Mas voltando ao presente método, do Patrimônio Líquido Ajustado, este nada mais é do que o somatório de tudo que a empresa possui, incluindo equipamentos, estoque, prédios e etc. Para então descobrir o patrimônio líquido subtraia o passivo destes. O valor dos ativos que consta no balanço patrimonial é um ponto de partida para determinar o valor do negócio.

O balanço patrimonial necessita estar em dia para que o valor apresentado nele seja relevante e útil. Caso tudo esteja certo, conforme relatado no parágrafo acima, a conta deve ser essa:

Contudo, como teoricamente esse método parece ser extremamente fácil, ele requer um pouco mais de trabalho.

Para que seu valuation seja mais realista, preciso e robusto é necessário que você trabalhe mais nos números. O valor do patrimônio líquido ajustado requer que você identifique os valores dos bens empresariais com bens similares sendo negociados no mercado (no caso bens móveis como carros, equipamentos e etc) e atualize devidamente eles.

São raros os casos onde o valor contábil já está atualizado, por isso você deve realizar estas etapas.

Outros valores que deverão ser atualizados são os ativos identificados no balanço patrimonial como contas a receber que você sabe que não receberá estes na integralidade (por conta de inadimplência, “calote” de clientes). É fundamental que se regularize os valores para menos com o intuito de refletir melhor os valores com a realidade.

Avaliando uma empresa faturando e lucrativa (Fluxo de Caixa Descontado)

O método do Fluxo de Caixa Descontado é muito utilizado pelos principais avaliadores no mundo inteiro. Apesar de ser um pouco complexo, este pode capturar fatores muito importantes na hora de agregar valor ao seu negócio.

A ideia por trás deste método é analisar o lucro histórico da empresa, assim como seu fluxo de caixa e então projetar o desempenho da entidade no futuro, levando em consideração a geração de caixa, lucro, dívidas e outros aspectos também.

Conforme vimos na imagem acima, a metodologia do Fluxo de Caixa Descontado é extremamente robusta e pode fazer toda a diferença na hora de valorizar seu maior ativo pelo valor justo.

Vantagens em utilizar o Fluxo de Caixa Descontado

O Fluxo de Caixa Descontado consegue capturar todos os drivers de geração de um negócio, o que pode fazer uma firma valer muito mais do que o patrimônio líquido contábil.

É altamente recomendável utilizar este método onde os seguintes itens possam fazer diferença no valor da sua empresa:

  • Tradição;
  • Administração competente;
  • Boa cultura organizacional;
  • Know how;
  • Carteira de clientes;
  • Marcas;
  • Patentes;
  • Ferramentas de gestão eficientes;
  • Contratos com fornecedores;
  • Qualquer outro aspecto que contribua para a geração de valor.

Desvantagens em utilizar o Fluxo de Caixa Descontado

O Fluxo de Caixa Descontado é muito sensível a premissas e interpretações. É quase impossível que um analista encontre o mesmo valor para uma empresa do que outro, mesmo utilizando a mesma metodologia e as mesmas informações.

O FCD é uma ferramenta muito rica que deve ser estudada a fundo, para que os erros sejam minimizados.

Por conta da sua subjetividade, qualquer pequena mudança nas projeções pode fazer o montante final variar demasiadamente. E por conta da sua subjetividade também não é só possível como também provável que exista um viés tanto positivo como negativo, dependendo de quem realiza o processo de valuation.

Ao fazer por conta própria a avaliação, os sócios terão um viés otimista, assim como o provável comprador terá um viés pessimista. Essas situações são normais em negociações e não devem ser encaradas como um erro ou má fé.

Por conta disso, é importante que você conte com um especialista na hora de negociar seu maior ativo.

A Dica Mais Importante: Contrate um Especialista

Também conhecida como “dica de um milhão de dólares”, ao contar com um especialista o retorno do seu investimento será em forma de conhecimento.

Por possuirmos a sabedoria dos bastidores de empresas sendo negociadas, um grande motivo de briga entre sócios e também entre as partes compradora e vendedora é a falta de imparcialidade e fundamentação. Muitas vezes o preço pedido por um lado não leva em consideração nenhum fator empresarial, somente o quanto a parte deseja lucrar, mesmo que não exista nenhum respaldo para tal.

Ao contratar um profissional você terá em mãos um laudo técnico de avaliação da sua empresa, que será peça central e vital na negociação. Este documento estará muito bem fundamentado e evitará prejuízo para ambas as partes.

Além dos benefícios acima, também é importante ressaltar outras vantagens, como:

  • Expertise e amplo conhecimento na área;
  • Contará com um laudo de avaliação na hora da negociação emitido por especialista;
  • Imparcialidade;
  • Ajuda a evitar brigas desnecessárias;
  • Evita prejuízos;
  • Maximiza lucros.

O conhecimento que você terá ao contratar um expert poderá evitar grandes prejuízos. Os honorários pagos ao especialista às vezes não representa sequer 1% do valor que você pode deixar na mesa ao vender seu maior ativo.

3º Passo: Hora de Negociar

Após o término do processo de valuation chegou a hora de negociar. Dificilmente as partes irão fechar negócio pelo montante encontrado no processo de avaliação do vendedor ou comprador. Cada um deve fazer sua parte para que exista no mínimo uma noção do que está em jogo. Conhecemos muitos casos onde proprietários de empresas venderam seus negócios sem a consciência que abriram mão de milhões de reais por falta de um auxílio e conhecimento na hora de avaliar seu negócio.

Caso o proprietário esteja buscando investidores ou apenas vender parte da sociedade, também é importante que seja feita a avaliação das cotas da empresa (veja nosso infográfico no link) que leva em consideração do valor da empresa e mais alguns ajustes.

Esperamos ter tirado algumas dúvidas. Agradecemos a leitura!