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Como Avaliar Pequenas e Médias Empresas – O Guia Completo

Avaliação de pequenas e médias empresas

Introdução

O mercado pode ser um ambiente desafiador para um empresário iniciante. Não basta apenas uma boa ideia e algum aporte financeiro para se ter sucesso. A criação de uma empresa requer dedicação, investimento, conhecimento e muito trabalho duro. No entanto, existem mecanismos que podem te ajudar a tornar essa jornada um pouco mais simples.

A avaliação de empresas, também muito conhecida pelo seu termo em inglês, valuation, é um mecanismo que tem como objetivo determinar o valor justo de um determinado ativo, como uma empresa (business valuation). No processo de determinação deste valor, o avaliador será levado a examinar vários aspectos da empresa, o que dará aos sócios uma visão diferenciada e detalhada do negócio que tem em mãos.

Existem diversas metodologias que podem ser empregadas pelo avaliador para realização desse cálculo. A escolha sobre qual delas adotar deve ser feita com cautela e por um profissional experiente, já que cada método abordará a empresa sob um enfoque e terá um objetivo específico. Por isso, esta decisão deverá ser tomada considerando fatores como os propósitos do valuation e o estágio em que a empresa se encontra.

Ainda pouco difundido no Brasil entre os empresários de pequenas e médias empresas, o valuation já é largamente utilizado, de forma periódica, em grandes empresas e multinacionais. Porém, quando observamos o pequeno empresário, descobrimos que muitos deles vêem a avaliação não como o investimento que é, mas como uma ferramenta dispendiosa utilizada no momento de venda da empresa.

Na realidade, existem diversas ideias equivocadas envolvendo o valuation e que devem ser desmistificadas e afastadas. Ao se prender a análises superficiais, você pode estar se fechando para uma oportunidade de obter o conhecimento que precisa para que seu negócio se consolide no mercado.

O valuation deve ser visto, portanto, mais como um investimento no seu negócio, do que uma mera despesa. Isto porque o retorno que você obterá a partir dele virá na forma de conhecimento e este pode ser determinante para o futuro da sua empresa.

Ao longo deste guia, esperamos que você possa conhecer um pouco mais sobre o processo de valuation, com um enfoque nas pequenas e médias empresas. Vamos nos aprofundar mais em suas principais metodologias de cálculo e esperamos que, ao final, você possa identificar e afastar os mitos amplamente difundidos no mercado para então pensar nos benefícios que você pode obter para sua empresa.

Entre em contato conosco para saber como podemos te ajudar a avaliar sua empresa

Principais metodologias

Antes de iniciar o processo de valuation, o avaliador deve fazer uma análise detalhada da empresa, observando sua estrutura e o segmento do mercado no qual atua, mas principalmente as intenções que motivaram os sócios a buscar uma avaliação. A partir desta primeira análise é que será determinado qual é o método mais indicado especificamente para a empresa a ser avaliada.

Existem diversas metodologias, dentre as quais, é possível perceber algumas opções mais usuais e confiáveis. Ainda assim, e este é um ponto chave para uma boa avaliação, a escolha sobre qual utilizar deve estar sempre pautada considerando a realidade da sua empresa.

Cada uma das metodologias que serão detalhadamente explicadas a seguir possuem abordagens diferentes e, portanto, serão indicadas em situações diferentes. Assim, todas apresentam ocasiões em que sua aplicação será benéfica ao mesmo tempo em que também apresentarão desvantagens.

1 – Método dos Múltiplos de Mercado (Avaliação Relativa)

O primeiro método, da avaliação relativa, pode parecer ser mais rápido de ser feito e também o mais simplista, mas isso não significa seja sempre fácil de determiná-lo. Ainda que possa parecer negativo empregar um método já dito “simplista”, em alguns casos a escolha da avaliação relativa será estratégica.

A avaliação relativa parte da ideia de que o valor justo de mercado da empresa X pode ser determinado observando os múltiplos de outras companhias semelhantes no mercado. Parte-se então a uma comparação entre esses múltiplos, que podem ser obtidos a partir dos indicadores como lucro, por exemplo.

Essa abordagem está fundada na premissa de que ativos similares devem ter preços similares, o que torna essa comparação possível de ser feita. Perceba que esse método ignora as características intrínsecas do negócio ao considerar apenas os múltiplos que, se mal interpretados por um profissional inexperiente, pode conduzir a um valor equivocado.

Dito isso, podemos pensar que essa metodologia de avaliação considera poucos fatores e que, portanto, o laudo pode ser elaborado mais rapidamente. É importante observar que é exatamente nesse ponto que esta metodologia pode se mostrar mais trabalhosa.

O universo de empresas selecionadas para esta comparação pode ser menor ou maior, o que neste último caso, irá impactar diretamente o valor encontrado, materializado em um ainda mais preciso. Além disso, a quantidade de empresas também influenciará na necessidade de um cuidado maior no manuseio dos diversos múltiplos e, portanto, impacta no tempo para a preparação do laudo.

Quando o empresário tem como um de seus objetivos o conhecimento amplo do valor de um negócio, o resultado obtido através de uma avaliação relativa não será satisfatório, já que como o próprio nome indica, trata-se de um método comparativo que estima apenas o valor do negócio.

Outro ponto importante que o avaliador deve considerar na seleção das empresas é a disponibilidade de dados de negociações recentes, dentro do mesmo setor e, de preferência, na mesma região. Ao comparar empresas que atuam no mesmo setor, mas em mercados distintos, já existe uma grande chance de encontrarmos um resultado impreciso.

Como falamos, este método é arriscado e superficial. Portanto, deve ser empregado apenas em situações em que o empresário busca um panorama do mercado ou mesmo um valor aproximado em um tempo exíguo.

No caso das pequenas e médias empresas, o método dos múltiplos é pouco recomendado já que a maioria das transações que as empresas deste porte realizam não são divulgadas ou, quando são, não apresentam todas as informações de forma transparente.

2 – Metodologia do Valor Patrimonial de Mercado (Avaliação Patrimonial)

Seguindo para um método já baseado em uma análise um pouco mais aprofundada, a Avaliação Patrimonial considera os dados contábeis da sua empresa para determinação do seu valor. Perceba que, neste caso, o valor será obtido a partir de fatores internos, como balanços contábeis, e não de meras comparações com empresas semelhantes.

Neste caso, para ser aplicada esta metodologia, o ativo, o passivo e o patrimônio líquido que as empresas têm registrado em seus balanços devem ser compatíveis com seus valores de mercado ou um que seja bem próximo. Deve-se ainda considerar a depreciação, a amortização e a inflação neste cômputo.

Existem duas formas de proceder a uma avaliação patrimonial e, em ambas, o valuation será pautado em dados contábeis, porém cada uma terá um objetivo bem específico.

Na primeira delas, a análise se limita a uma verificação do patrimônio líquido da empresa a partir de seu balanço patrimonial. Trata-se de uma abordagem pouco fiel a realidade já que o patrimônio estará baseado apenas naqueles bens que estão registrados no balanço. Assim, a partir dos ativos, passivos e o patrimônio líquido, determina-se o valor da empresa seguindo a fórmula:

Valor da empresa (patrimônio líquido) = Valor do ativo total ajustado – Valor do passivo total ajustado

Existe ainda o método de liquidação, onde o cálculo também se baseia nos bens tangíveis da empresa, mas a diferença está no objetivo da avaliação. Neste caso, emprega-se este método quando a empresa está prestes a fechar as portas e os empresários precisam liquidar todos os bens disponíveis. 

Por conta disso, geralmente há uma urgência na venda dos ativos, o que, muitas vezes, resulta em uma venda abaixo do seu valor de mercado, principalmente em função da pressa e do poder de barganha dos compradores

O valor obtido através deste método de liquidação será a soma de todo o patrimônio da empresa (bens, imóveis e créditos), já descontando o montante referente a eventuais dívidas. Desta forma, o objetivo é determinar o valor que o empresário terá em suas mãos caso tenha que proceder a uma eventual liquidação total da empresa.

Fica claro que, em ambos os métodos, não há qualquer influência dos ativos intangíveis, que englobam as marcas, clientes, parceiros e fornecedores comerciais exclusivos. Isto, geralmente, significa que o valor encontrado pode ficar muito inferior ao valor real da empresa, quando for a hipótese de uma empresa que detém uma quantia considerável de seu patrimônio nas marcas que possui.

3 – Fluxo de Caixa Descontado (Discounted Cash Flow Method)

Dentre os métodos disponíveis, o mais abrangente é, sem dúvida, o de Fluxo de Caixa Descontado, também chamado de FCD. Trata-se de uma metodologia que analisa a empresa a partir inúmeras premissas, que vão além dos dados contábeis, com o objetivo de determinar o seu valor econômico.

O conceito fundamental no qual está baseado todo a metodologia é o fluxo de caixa. Quando nos referimos ao fluxo de caixa de um determinado negócio, o que consideramos a diferença entre a receita total de uma empresa e sua despesa em determinado período. Dito isso, é interessante perceber que existem diversos tipos de fluxos de caixa, sendo que cada um apresenta funções diferentes.

Para a aplicação do método de FCD, utilizamos o fluxo de caixa livre, pois é através dele que podemos prever as expectativas de um determinado negócio gerar frutos no futuro. O fluxo de caixa livre determina o valor disponível (livre) para a empresa após o pagamento de todas as suas obrigações operacionais.

Durante o valuation, consideramos o fluxo de caixa livre da empresa, atualizado para seu valor presente, além dos ativos não operacionais e o valor terminal (ou residual).

Aprofundando os estudos de fluxo de caixa

Caso já possua uma maior familiaridade ou queira se aprofundar mais sobre o tema, vale destacar que o fluxo de caixa livre é calculado através da fórmula:

Fluxo de caixa livre = EBIT (1-t) + Depreciação (+/-) variação no capital de giro operacional líquido (+/-) variação no ativo imobiliário bruto

Entende-se por ativos não operacionais aqueles que não estão relacionados, diretamente, ao negócio principal da empresa. Eles podem ou não ser uma fonte de receita ao negócio, mas sempre apresentam como característica a possibilidade de alienação sem qualquer prejuízo ao bom funcionamento da empresa.

Na fórmula EBIT (Earning Before Interest and Taxes) é conhecido como LAJIR (Lucro antes dos juros e Imposto de Renda). Após descontar impostos EBIT também é conhecido como NOPAT (Net Operating Profits After Taxes).

Uma empresa não possui uma vida útil predeterminada e também não é possível dizer que uma entidade poderá existir para sempre, embora existam algumas empresas mundo afora com mais de um século de vida. Entretanto, não é uma tarefa fácil projetar fluxos de caixa para cem anos ou algum futuro distante. Por conta disso na maioria das avaliações os analistas projetam cerca de 10 anos e após esse período é calculado um valor terminal (também chamada de valor de perpetuidade, quando a empresa continuará existindo, ou liquidação, quando o analista considera seu fechamento ou liquidação). Muitos acreditam que o valor terminal corresponde o resíduo do valor de uma empresa, como se fosse o valor final de uma máquina após descontar valores de depreciação.

O valor terminal é quanto se imagina hoje que a empresa valerá ao final do horizonte de projeção. Soma-se todos os fluxos de caixa dos anos projetados e valor terminal e é necessário que se traga tal soma ao valor presente, que no caso da avaliação será utilizada a taxa de desconto para trazer tais valores ao valor presente.

Vantagens da aplicação do método de Fluxo de Caixa

Através da metodologia do FCD, descobre-se qual é o valor intrínseco do negócio e, a partir daí, torna-se possível projetar os fluxos de caixa para o futuro. A subjetividade é uma característica marcante deste método e é onde repousam suas principais críticas. No entanto, é exatamente isto que a torna tão rica. O FCD viabiliza considerar fatores que outros métodos deixam de lado, como:

  • Reputação da empresa no mercado;
  • Marcas e Patentes;
  • Gestão empresarial;
  • Clima organizacional;
  • Carteira de clientes;
  • Histórico de desempenho

Para chegar ao resultado da avaliação, as projeções dos fluxos de caixa devem ser confrontadas com uma taxa de desconto. Assim, a taxa de desconto, sob a ótica do investidor, torna-se um excelente indicativo do risco do negócio em si, sendo comumente utilizada no momento de decisão sobre investir ou não em determinada empresa.

Esta metodologia é, sem dúvida, a mais abrangente e, portanto, considera inúmeros dados que os demais métodos deixam de fora. Isto nem sempre é um ponto positivo, já que ao ser empregada por avaliadores inexperientes ou que desconheçam as características do setor de atuação do negócio avaliado, resultará em um valor inexato que pode comprometer todo o processo de valuation.

O FCD também consegue considerar fatores externos a empresa como a inflação e a depreciação, além da conjuntura econômica e da concorrência. Desta forma, o Fluxo de Caixa descontado poderá avaliar os riscos ao negócio e entregar uma análise completa.

Aspectos como eventuais falhas de gestão, um planejamento estratégico falho ou mau empregado, tudo isto ficará evidente após o valuation e poderá ser enfrentado de forma inteligente e com um planejamento orientado ao resultado.

O laudo produzido através do fluxo de caixa descontado é tão completo que poderá cumprir um papel fundamental na tomada de decisões e na compreensão ampla do negócio. Através dele, os empresários terão muito mais do que o valor da sua empresa, eles receberão um panorama rico em detalhes de negócio que têm em mãos.

Operações societárias e seus desdobramentos

Ao acompanhar o ciclo de vida das grandes empresas presentes no mercado, é possível notar que elas realizam inúmeras movimentações e mudanças societárias ao longo dos anos. Na verdade, essas mudanças são passíveis de ocorrer com empresas de qualquer porte e são responsáveis, muitas vezes, pelo crescimento e fortalecimento de uma pequena empresa.

O Direito Empresarial prevê algumas possibilidades de mudanças e cada uma delas apresenta características bastante distintas e um tratamento jurídico e empresarial específico:

  • Fusão
  • Aquisição
  • Cisão
  • Incorporação

São essas operações que viabilizam que, por exemplo, pequenas, médias ou grandes empresas sejam integradas a outras ou que empresas grandes sejam partidas em empresas menores ou ainda que duas empresas passem a ser uma só.

As possibilidades de movimentações societárias são diversas e não seria possível delinear todos os cenários de maneira exaustiva, já que todos esses movimentos podem acontecer em empresas de quase qualquer porte.

O que é importante para o empresário é conhecer o significado de cada uma dessas possíveis operações de modo que saiba utilizá-las a seu favor, quando e se o momento chegar.

1 – Fusão

As fusões consistem em uma técnica de verdadeira reestruturação e reorganização onde duas ou mais empresas se unem formando uma só. Destaca-se que esta empresa remanescente constitui uma nova empresa, com personalidade jurídica distinta das que existiam anteriormente.

Trata-se de uma combinação de empresas com objetivo de formar uma nova, maior e mais forte, que irá surgir com a conclusão e fechamento do acordo materializado nos atos de fusão. Do ponto de vista jurídico, as empresas iniciais, que se fundem, vão deixar de existir e todas as obrigações que mantinham serão assumidas pela nova empresa.

Normalmente, as fusões ocorrem entre empresas do mesmo segmento que, com a operação, passam a dominar uma fatia maior do mercado e se tornam mais competitivas. No entanto, não há qualquer obrigatoriedade neste sentido. É possível encontrar empresas que atuem em segmentos distintos, porém complementares, e que vêem na fusão uma forma de expandir sua área de atuação, dominando setores estratégicos diversos.

2 – Aquisição

No caso de uma aquisição, o que ocorre é que uma empresa será comprada por outra. Esta empresa, a compradora, necessariamente subsiste, mas a operação de compra não significa a extinção da empresa adquirida. Sua aquisição pode ser parcial ou total e, mesmo neste último caso, a empresa comprada pode ser mantida em funcionamento, ainda que sob nova direção.

A aquisição geralmente se dá através da compra de ações ou de ativos com objetivo de que a adquirente exerça o controle financeiro, o que irá significar um investimento alto para o alcance deste objetivo.

Diz-se que a aquisição parcial é aquela que não supera os 49% do capital com direito de voto da empresa. Acima deste percentual, a empresa adquirente já exerce o controle acionário e poderá chegar a 100%, quando então será o caso de uma aquisição total.

Importante destacar que a Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/76) exige, em seu art. 255, que a aquisição de controle no caso de empresas de capital aberto com autorização de funcionamento pelo governo deve ser aprovada pelo órgão competente. O objetivo de tal medida é salvaguardar uma empresa que atua em um setor que o governo entende ser estratégico.

3 – Incorporação

A incorporação, por sua vez, é a operação na qual uma ou mais empresas são absorvidas por outra. Assim, as empresas incorporadas serão extintas e suas obrigações passarão para a incorporadora, que será a única que subsistirá sem alteração de sua personalidade jurídica.

É comum haver alguma confusão entre a incorporação e a fusão, mas é fundamental traçar a distinção entre elas: na fusão, todas as pessoas jurídicas pré-existentes deixam de existir, sendo substituídas pela nova empresa enquanto na incorporação, haverá a manutenção da pessoa jurídica que absorveu as demais empresas, isto é, a incorporadora.

Este movimento empresarial pode não trazer muitas alterações para os funcionários e credores das empresas incorporadas já que, finalizada a operação, a incorporadora passará, automaticamente, a ser a pessoa jurídica que assumirá todas as suas obrigações, inclusive trabalhistas e creditícias.

4 – Cisão

Por fim, enquanto todas as três operações acima seguem no rumo da formação de uma empresa maior, seja ela uma pessoa jurídica nova ou não, a cisão deve compreendida como um movimento no sentido oposto. Nesta operação, uma determinada empresa irá transferir uma parcela do seu patrimônio atual para uma ou mais sociedades, conforme previsão do art. 229 da Lei das S.A.

Esta operação é comum quando há uma dissolução de uma sociedade ou quando os sócios entendem ser melhor dividir uma cadeia produtiva com a operação nas mãos de empresas distintas. Da mesma forma como nas demais, a cisão pode ocorrer de maneira parcial ou total, sendo que neste caso, pode até culminar na extinção da pessoa jurídica cindida.

As operações empresariais e o valuation

Em todos os casos de mudanças societárias, será fundamental que os sócios e empresários conheçam o valor das empresas que estão administrando. Caso contrário, certamente poderá haver um prejuízo enorme para qualquer um dos envolvidos.

Este desconhecimento pode, inclusive, ser o fator determinante para o início de uma negociação de uma operação como essas sem que sequer exista sua real necessidade. Seria o caso, por exemplo, de um empresário que, por desconhecer o real valor e potencial do seu negócio, pode se ver tentado a vender seu patrimônio após uma proposta que acredita estar muito acima do valor que sua empresa possui.

É neste momento que a realização de uma avaliação prévia da empresa é fundamental para uma tomada de decisões lúcida e com o total conhecimento dos fatos.

A decisão de vender ou fundir-se a outra empresa

Quando analisamos os motivos que levam um empresário a buscar alguma operação societária com outra empresa, pensamos logo que há alguma dificuldade financeira. A verdade é que, nem sempre, empresas se fundem ou são vendidas como parte de uma estratégia de sobrevivência.

Existem situações, é claro, em que a empresa passa por uma dificuldade financeira da qual, sozinha, certamente não conseguirá vencer e se manter no mercado. Neste caso, é possível que apareçam ofertas de outros empresários para sua aquisição, caso este se mostre um negócio rentável para o comprador.

Este pode ser um caso típico de aquisição, mas não é o único. Encontramos diversas outras motivações que levam um empresário a optar pela venda de seu negócio:

  • mudanças de país
  • decisão de buscar sua aposentadoria
  • necessidade de se capitalizar para algum acontecimento pessoal
  • vontade de buscar novos desafios em outros áreas de mercado

Ante o exposto, fica claro que existem várias situações que podem ensejar aquisições e que são diversas de uma crise financeira. Já na hipótese de uma fusão, fica mais evidente que há uma convergência de interesses com objetivo de formar uma empresa maior, mais forte e com isso expandir sua influência no mercado.

No Brasil, o mercado de Fusões e Aquisições ainda não é tão amplo como nos Estados Unidos, um país em que o setor de M&A (Merger and Acquisition) opera milhares de transações anualmente. O que se observa aqui é que as fusões brasileiras são comuns entre empresas de grande e médio porte, mas ainda é um setor pouco explorado pelas micro e pequenas empresas.

Dentro do setor de maior movimento, composto pelas empresas de grande e médio porte, os valores envolvidos nessas operações são expressivos, podendo chegar a bilhões de Reais, e costuma haver o intermédio de bancos de investimentos e assessorias ou escritórios de advocacia especializados.

Por outro lado, ao observarmos as transações envolvendo pequenas e microempresas, ainda que este seja o tipo empresarial mais comum no Brasil, as transações ainda são pouco expressivas e apenas em alguns casos é que há alguma assessoria; na maioria das operações, tudo ocorre sem qualquer consultoria, o que pode ser perigoso e deixar seu negócio em uma situação de vulnerabilidade.

É fácil perceber quão benéfico será para o empresário, inclusive para os micros ou pequenos empreendedores, ter a avaliação da sua empresa antes de um processo de fusão ou aquisição. Uma vez munido de um laudo de valuation, suas decisões serão pautadas em mais do que uma mera suposição e, certamente, ajudarão no processo de negociação dos termos da fusão ou aquisição.

Sinergia: o ganho por trás das operações societárias

Quando uma empresa passa por um processo de fusão ou aquisição, é comum ocorrerem mudanças internas, não apenas na gestão, mas também em processos produtivos, logística e cultura organizacional. Em geral, o resultado de um processo como esse pode ser resumido em uma única palavra: sinergia.

Sinergia é, por definição, o efeito de uma confluência de trabalhos individuais, que atuam em conjunto, com um objetivo comum. Normalmente, bons profissionais são caracterizados por seu desempenho de excelência em sua área de atuação. Um conjunto desses bons profissionais atuando em conjunto, muitas vezes, produz o que se chama de uma equipe de alto desempenho.

Nem toda equipe pode ser considerada uma equipe de alto desempenho, pois para tanto, será necessário que algumas características estejam presentes:

  • alto compromisso com o trabalho
  • grupo altamente motivado
  • excelente relacionamento interpessoal pautado na confiança mútua
  • objetivos e estratégias bem delineadas e feedback constante
  • cooperação com foco no sucesso compartilhado

Todos esses aspectos são resultado de uma sinergia entre os participantes da equipe e evidenciam como o trabalho em grupo pode alcançar resultados que individualmente seriam impossíveis, dadas as limitações individuais do ser humano. Esse sucesso é fruto da sinergia entre essas pessoas e também pode ser visto durante o processo de fusão e aquisição.

Imagine duas empresas que se fundem em uma nova. Nesse processo, algumas mudanças de processos e gestão devem ser implementadas para promover uma reorganização sob a nova corporação que surge. Este é o momento ideal para avaliação dos processos, das equipes e da gestão que cada uma das empresas apresenta para proceder as melhorias. Isto é um exemplo da sinergia funcionando a seu favor.

Quando isto ocorre, observamos um enorme ganho para todos os envolvidos, inclusive, ainda que em menor grau, para os consumidores. Estes também podem se beneficiar indiretamente com fomento do mercado e as melhorias no processo produtivo que levam ao aprimoramento do produto e sua evolução.

Sem dúvida, os ganhos das empresas que surgem em consequência da sinergia alcançada durante uma fusão ou aquisição são extremamente valiosos e incluem:

  • Redução de custos gerando uma maior eficiência na cadeia produtiva, estimulando as vendas e a melhor distribuição;
  • Redução de riscos operacionais como resultado da diversificação de produtos ou serviços;
  • Redução do custo de capital;
  • Aumento do marketshare;
  • Aumento do poder de negociação com fornecedores e clientes,
  • Eventual eliminação de concorrentes;
  • Redução do tempo de aprendizagem pela incorporação do conhecimento mantido por outras empresas;
  • Benefícios fiscais.

O valor de controle e sua aplicação para o valuation

Ainda dentro desta análise das operações societárias, é interessante mencionar que o valuation determina o valor global da empresa, sem uma especificação exata sobre qual seria o valor cabível para acionistas e credores. A partir disto, teóricos na área de finanças criaram o conceito de valor de controle.

Este está diretamente ligado às estratégias financeiras e de gestão adotadas quando uma nova administração está prestes a assumir. Trata-se de um conceito simples, que se sustenta sobre a ideia de que uma nova gestão influencia diretamente o sucesso do negócio.

Aswath Damodaran aponta que o controlador é aquele responsável pelas decisões financeiras tomadas durante sua gestão. Quando a empresa está sob uma administração responsável e competente, as decisões acertadas costumam elevar o valor da empresa. De forma inversa, uma gerência descuidada geralmente conduz a sua redução.

Damodaran propõe, então, que o valor de controle pode ser formulado a partir da equação:

Valor do controle da empresa = Valor otimizado – Valor atual (status quo)

O status quo corresponde ao valor que a empresa possui atualmente e que tende a manter, caso permaneça com a administração da forma como já existe. É, portanto, o valor correspondente a sua gestão atual.

Já seu valor otimizado será aquele oriundo de uma troca de diretrizes que se materializam em decisões mais competentes, em geral, fruto de uma nova administração mais capacitada e responsável. Desta forma, será possível para o avaliador encontrar a diferença entre eles e determinar valor controle da empresa avaliada.

Perceba que empresas sob uma gestão ineficiente possuem um status quo baixo e podem ter inúmeras oportunidades de crescimento se administradas de forma prudente, o que será refletido em um valor de controle elevado. Por outro lado, para as empresas que já são geridas de forma ótima, não há que se falar em valor de controle, pois este já será correspondente ao seu status quo.

Ainda que a princípio esses conceitos ligados ao valor de controle possam parecer mais pertinentes para operações envolvendo grandes empresas, existem algumas situações em que os pequenos e microempresários podem aplicar esse conhecimento a seu favor.

Suponhamos que você e seus irmãos tenham herdado um pequeno negócio, criado por sua família, que tem sido passado de geração em geração. Pode ser um pequeno comércio que, apesar de ter gerado uma boa fonte de renda e sustento até hoje, encontra-se estagnado e você, como um dos sócios, não vê perspectivas de crescimento.

Diante deste cenário, uma das estratégias de crescimento que você vislumbra é a transferência da administração familiar para uma nova, que detenha uma formação acadêmica que possa tornar o seu negócio mais próspero no mercado. Nem sempre, haverá concordância de todos os sócios e um dos seus irmãos, por exemplo, pode achar melhor não envolver estranhos na empresa que sempre manteve sua característica familiar.

Com a ajuda dos conceitos de valor otimizado e status quo, será possível determinar o quanto a contratação desta nova administração poderá trazer de resultados para sua empresa.

Quando procurar um especialista em valuation?

É bem comum ter dúvidas acerca da necessidade de buscar um especialista para conduzir a avaliação da sua empresa. O senso comum diz que a avaliação de um bem é um requisito necessário para apurar seu valor de mercado diante de uma venda ou aquisição. Esta ideia não poderia ser mais equivocada quando tratamos de empresas.

Existem vários fatores que levam os empresários a buscar uma avaliação do seu negócio, mas é interessante destacar que na maioria dos casos, este é um processo que deve ser conduzido, preferencialmente, por um especialista em valuation.

Normalmente, um leigo ou alguém com pouca experiência não terá a expertise para condução de um processo baseado em uma análise consciente dos demonstrativos contábeis do negócio. Caso isto se verifique, resultados irreais surgem como reflexo de uma má interpretação de dados e de um desconhecimento quanto à aplicação dos métodos existentes de valuation.

Cuidado com as Calculadores Online e aplicativos de valuation

No mercado de consultoria e avaliação (valuation), com frequência, nos deparamos com empresas que foram “avaliadas” através de calculadoras online. Essa prática pode ser altamente perigosa e deve ser evitada. As calculadoras online encontradas na internet são capazes de processar apenas os números informados por quem a está utilizando.

As calculadoras não consideram informações importantes e que exercem uma influência direta no valor justo (e muito menos potencial) de uma empresa. Não raro, as empresas que recorrem à esses sites em busca de uma avaliação notam a discrepância clara entre os valores calculados e os valores reais e buscam um especialista no ramo.

Deturpações nos laudos de avaliação podem gerar perdas patrimoniais irreversíveis, como no caso da venda de sua empresa por um montante muito abaixo do seu valor real. Os prejuízos, no entanto, não se limitam aos casos de venda da empresa, sendo fundamental para o empresário conhecer o valor do patrimônio em situações como:

  1. Eventuais negociações empresariais – O conhecimento do valor do seu negócio para transações comerciais, que nem sempre culminam na venda da empresa;
  2. Aposentadoria – Se você está construindo e dedicando sua vida por uma empresa e espera, um dia, se aposentar confiando no retorno que ela lhe trará, você precisa ter o conhecimento de qual retorno será para planejar sua vida de acordo;
  3. Captação de investimentos – Os investidores estão sempre fazendo rápidas análises de valuation antes de fazer qualquer aporte de capital. Você precisa ter uma boa noção do seu valor para negociação das propostas;
  4. Estratégias de saída – O conhecimento do negócio que você tem em suas mãos, com suas fraquezas, viabiliza o planejamento de uma estratégia de saída do mercado;
  5. Litígios de qualquer natureza – Pode acontecer de sócios se divorciarem de suas esposas, falecerem ou mesmo serem réus em um processo de natureza civil que pode ingressar em seu patrimônio e, posteriormente, no da empresa.
  6. Ingresso de novos membros ou dissolução da sociedade – No momento de proceder a uma divisão da sociedade ou apuração de capital, é fundamental a compreensão contábil de toda a empresa.

É claro que tais pontos são apenas exemplificativos e as grandes empresas no mundo recorrem aos especialistas em valuation para atualizações periódicas do seu valor não apenas nestes casos. Um dos fatores, por exemplo, que afeta o valor de um negócio e não está diretamente ligado aos balanços da empresa é a avaliação da gestão.

Uma empresa com uma gestão que adota medidas e estratégias onde há uma boa aceitação por parte do público, naturalmente, percebe o reflexo disto no seu valor. Por outro lado, algumas vezes a diretoria começa a tomar uma série de decisões que vão se somando e impactando negativamente a imagem que o público associa à empresa.

Isto, nem sempre, será perceptível aos olhos dos gestores, mas poderá ser analisado em um laudo de avaliação preparado por um profissional, que conheça bem o negócio e o nicho no qual está inserido.

As dificuldades extras de avaliar empresas privadas e de capital fechado.

As Sociedade Anônimas compõem uma classe de empresas com algumas características bem particulares, sendo reguladas, no ordenamento brasileiro, pela Lei 6.404/76. Este diploma legal disciplina desde sua criação, com a elaboração do seu estatuto social, até sua extinção.

O regramento prevê que as SA, como são popularmente conhecidas, são empresas regidas por um Estatuto, que disciplinará e organizará a empresa. Esta terá o montante de seu capital social dividido em ações, que podem ser objeto de transações no mercado.

A Lei das SA prevê duas espécies para as Sociedades Anônimas:

  • Sociedades Anônimas de Capital Fechado
  • Sociedades Anônimas de Capital Aberto

A diferença entre elas é simples, enquanto as empresas de capital aberto têm suas ações negociadas livremente na Bolsa de Valores, as de capital fechado são negociáveis, mas apenas mediante a vontade e concordância dos acionistas/sócios.

Uma outra característica, mas que decorre da prática, é que as empresas de capital fechado tendem a ser sociedades menores, na mão de poucos sócios. Já as abertas, até mesmo por todas as exigências para a venda de ações na Bolsa e controle da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), terão de cumprir uma série de requisitos, inclusive com a transparência da sua contabilidade e balanço.

É possível notar que as sociedades fechadas, em especial as micro e pequenas empresas, terão uma menor rigidez de fiscalização. Isto aliado também ao menor porte, muitas vezes, significa que elas mantêm dados que tornam sua avaliação um processo que requer uma maior cautela.

É comum encontrar micro e pequenas empresas que conduzem negócios mais descuidados, já que não possuem acionistas e tampouco a CVM realizando um constante monitoramento de suas contas.

Algumas práticas rotineiras nestas empresas, e que devem ser apuradas com cuidado durante o processo de avaliação, são:

  • Manter sua contabilidade desatualizada ou pouco detalhada, já que não haverá um controle tão rigoroso pelos órgãos reguladores de suas demonstrações contábeis no dia a dia empresarial;
  • É comum encontrar a prática de vendas “por fora” ou sem nota fiscal;
  • A remuneração dos sócios não é algo muito claro, sendo comum verificar que os sócios retiram quantias em excesso a título de pagamento (salário ou repartição de lucro);
  • Será bem mais trabalhoso estimar a taxa de desconto, fundamental para a aplicação do método de Fluxo de Caixa Descontado, bem como as medidas de risco, conhecer amplamente a concorrência e outros dados que podem não ter nenhum registro;

Assim, faz-se essencial para estes casos que o avaliador contratado seja um especialista na área de valuation e que possua uma experiência neste tipo de empresa. Caso contrário, a subjetividade na formulação das premissas e projeções tornará a avaliação frágil e sujeita a deturpações.

A inflação e como ela interfere na avaliação de empresas

Um termo que nós, brasileiros, ouvimos todos os dias é Inflação. Associamos, de forma leiga, a alta inflação a um fenômeno ruim, que acarreta o aumento nos preços dos produtos que consumimos rotineiramente. A verdade é que o termo inflação representa um retrato muito mais amplo da economia do nosso país e tem impactos mais abrangentes do que apenas a alta de preços.

O primeiro conceito que deve estar claro quando falamos em inflação é que ela não se resume ao que popularmente se diz ser um mero aumento dos preços de mercado. Na verdade, este é apenas um dos seus reflexos mais sensíveis para a população. Podemos apresentar duas hipóteses corriqueiras onde o aumento dos preços não estará atrelado a um processo inflacionário:

  • Dificuldades isoladas do setor produtivo que atingem a oferta – Pode advir de múltiplas causas, inclusive problemas de abastecimento, transporte de cargas e escoamento da produção ou mesmo uma dificuldade climática que impacta sobretudo a produção agrícola.
  • Aumento pontual da demanda – Essa alta de preços também pode ser justificada por uma maior demanda por certos produtos, cuja oferta se mantém igual, como ocorre com aparelhos de ar condicionado nos meses de verão, por exemplo.

Perceba que ambas as hipóteses não são influenciadas pelo índice da inflação, sendo decorrentes das lógicas de mercado. O conceito de inflação está ligado a quantidade de dinheiro circulando na economia, ou seja, quando há muito dinheiro circulando, a moeda começa a se desvalorizar perdendo seu poder de compra. Isto se materializa no aumento irrestrito dos preços. Mas como há esse aumento da quantidade de dinheiro em circulação? Existem duas formas:

  • Maior emissão de papel moeda pelo Banco Central
  • Acesso ao crédito facilitado na forma de empréstimos e financiamentos

Em ambos os casos, as consequências serão as mesmas e deverá haver um grande esforço envidado para controlar este processo de forma que a economia seja afetada de forma muito gravosa. Entre as principais consequências, podemos destacar:

  • Piora na distribuição de renda – Como as pessoas não terão seus salários corrigidos, muito menos na mesma proporção, haverá uma maior dificuldade de pagamento das contas habituais e dificuldade de aquisição dos artigos essenciais;
  • Endividamento coletivo – Resultado em um curto prazo da diminuição do poder de compra, especialmente para as camadas mais pobres da população;
  • Desvalorização da moeda nacional – Consequência clássica da diminuição do poder de compra.
  • Desequilíbrio na balança comercial – Pode haver um desequilíbrio na balança comercial por conta de diferença de preços e câmbio;
  • Aumento de riscos de investimentos no país – O processo inflacionário é visto por investidores estrangeiros como uma dificuldade do governo de controlar sua própria economia. Isto aumenta o risco sobre qualquer aporte de dinheiro em função da instabilidade econômica.

Como se pode notar, a inflação afeta drasticamente o mercado e deve ter seus efeitos considerados na avaliação de uma empresa. Não há um método que possa melhor considerar os efeitos da inflação do que do Fluxo de Caixa Descontado.

Quando o avaliador passa para a análise das projeções dos fluxos de caixa de uma empresa, caso ele não considere a inflação de forma razoável, encontrará um valor que não corresponde à realidade.

Os reflexos da inflação no mercado

Um outro aspecto interessante para a reflexão sobre como a inflação afeta o valor de mercado das empresas é a análise da mudança de perfil de investimentos que decorre do processo inflacionário.

Como forma de reação a elevação da inflação, o Banco Central costuma elevar a taxa SELIC, a taxa básica de juros do mercado. A SELIC é muito conhecida pelos investidores e costuma ser utilizada como base de correção para diversos investimentos chamados de renda fixa.

Com a elevação da taxa SELIC, estes investimentos ficam bem mais atrativos e recebem um grande aporte de interessados em um lucro maior. Muitos investidores abandonam seus investimentos variáveis, o que leva a uma queda na bolsa de valores e, consequentemente, no preço das ações das empresas. Este processo impacta diretamente o valor destas empresas que possuem ações negociadas na bolsa e pode causar reflexos em todas as empresas ligadas à sua cadeia produtiva.

De modo contrário, haverá o processo oposto quando houver a redução da inflação, que será seguida pela diminuição tanto da taxa SELIC quanto da procura por investimentos de renda fixa. Neste cenário, a bolsa de valores volta a se aquecer e isso se reflete também no valor de mercado das empresas.

Além deste aspecto, a desvalorização do dinheiro que decorre do processo inflacionário conduz a uma estagnação no setor de produção. Empresários que antes investiam parte de seus lucros no aperfeiçoamento da cadeia de produção, agora optam por deixar esse dinheiro em investimentos para tentar, de alguma forma, manter algum rendimento do seu patrimônio.

Para o povo em geral, a falta de investimento no setor produtivo é o responsável direto pelo fechamento de inúmeras vagas de emprego, elevando a taxa de desemprego, especialmente no longo prazo. Tudo isto conduz a uma retração no mercado de consumo e o fechamento de pequenos estabelecimentos.

Sob a ótica dos investidores internacionais, a volatilidade do mercado assolado pelos efeitos inflacionários o torna extremamente atraente para a especulação financeira. Em um primeiro momento, essa prática pode parecer interessante, já que há um grande aporte de capital proveniente de investidores estrangeiros no país. No entanto, como o interesse é de apenas obter vantagens com a alta taxa de juros, da mesma forma que uma quantia vultosa entra no país, ela também sairá com a mesma rapidez.

Empresa x Marca

Uma confusão conceitual bem comum, mas que deve ser esclarecida, é entre o significado de “empresa” e “marca”. Quando falamos de empresa, estamos nos referindo ao seu nome empresarial, aquele que consta nos registros da Junta Comercial associado a um determinado CNPJ.

Por outro lado, marca representa a identidade visual de um certo produto ou serviço, que, por sua vez, constará de um registro no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Intelectual). Normalmente, as empresas lançam produtos e atribuem a cada um deles uma determinada marca. A confusão começa aí. O que usamos e o que costumamos fazer referência é a marca, mas a marca nada mais é do que um bem imaterial que a empresa detém.

É possível, sem dúvida, estabelecer uma correlação entre o nome empresarial e a marca, mas nem sempre isso ocorre. Uma empresa pode, inclusive, ser detentora de diversas marcas e explorá-las individualmente.

Ao se proceder a uma avaliação, o que você está buscando geralmente determinar é o valor da empresa. Sem dúvida que se esta empresa é detentora dos direitos sobre marcas de renome, estas integrarão o patrimônio avaliado.

No entanto, é possível também conduzir uma avaliação apenas de uma marca, sem ingressar em uma avaliação global da empresa. É evidente que quanto menor for a empresa, mais difícil será avaliar somente sua marca, já que elas se confundem perante o público.

A visão do investidor

Os investidores, ao analisarem uma oportunidade de investimento, possuem um olhar muito particular.

Em primeiro lugar, é claro que existem diferentes perfis de investimento, mas o que se percebe ser comum a todos os perfis é que o investidor irá proceder com uma análise da empresa através dos seus indicadores e de seu plano de negócios. A partir destes dados, o investidor realizará um valuation, ainda que de maneira informal e por contra própria, dada sua experiência de mercado.

Quando a oportunidade de investimento decorre de um movimento da empresa para captação de capital, em geral, há uma apresentação, chamada de Pitch. É no Pitch que os sócios farão uma apresentação do seu negócio com o objetivo de atrair novos investidores e garantir o capital necessário para seus projetos.

Nesse momento, alguns dados ganham um destaque maior para o investidor e devem ser abordados com cautela para evitar que sejam mal interpretados. São eles:

  • Produto ou Serviço oferecido
  • Modelo de negócio
  • Equipe envolvida no projeto
  • Investimentos anteriores, mentores, parceiros comerciais e clientes
  • Demonstrações e projeções financeiras
  • Fatores de risco e visão do negócio

Em suma, o interesse do investidor sempre estará voltado para empresas em que ele pague menos, correndo o menor risco para receber o retorno do seu investimento. Ainda que ele opte por um investimento de alto risco, este será sempre calculado tendo como base o valor que está injetando no negócio e os indicadores que o negócio apresenta.

Os mitos sobre a avaliação de micro, pequenas e médias empresas

Ao longo deste artigo, nossa intenção foi apresentar um panorama completo sobre o que é o processo de avaliação de empresas, além de mostrar sua aplicabilidade e os benefícios que você, empresário, pode obter ao fazer a avaliação do seu negócio.

Sabemos, no entanto, que existem diversas afirmações difundidas acerca do processo de valuation que são inverídicas ou, no mínimo, inexatas. Por isso, reunimos os principais mitos que cercam a avaliação de empresas com o intuito de esclarecer quaisquer dúvidas que ainda possam existir acerca do processo.

1 – Uma empresa de pequeno porte só deve ser avaliada na sua venda ou na hora de buscar algum investidor

Existem inúmeras situações que podem levar um pequeno empresário a buscar a avaliação do seu negócio, que nem sempre serão decorrentes da sua venda. É evidente que em momentos de liquidação ou de venda da empresa, a avaliação é o instrumento, por excelência, que irá municiar vendedor e comprador; e tenha em mente que, caso ela não seja feita por você, será pelo comprador.

Nesse caso, perceba que neste resultado não haverá qualquer participação sua, como empresário e dono do negócio, o que pode se traduzir em uma avaliação enviesada e que desconsidera pontos chaves do negócio, que influenciam seu valor.

Além de casos como este, como sócio, um dos principais retornos que você pode obter de um valuation é uma análise ampla do negócio que você tem em mãos. A avaliação, caso feita com este fim, pode evidenciar os fatores que atuam como suas principais ameaças e fraquezas, bem como suas forças e oportunidades.

Dentro da teoria de planejamento estratégico, existem sempre fatores positivos (forças e oportunidades) e negativos (fraquezas e ameaças) para uma empresa. Esses dois grupos são formados por elementos internos, as forças e fraquezas, ou externos, as oportunidades e ameaças. A identificação destes fatores pode trazer a clareza necessária para que a gestão consiga contorná-los ou, ao menos, minimizá-los.

2 – O que determina o quanto uma empresa vale é o seu lucro líquido

Quando falamos em lucro de uma empresa, em sentido amplo, representa o valor auferido por ela como retorno a um investimento, ainda que este seja o investimento depositado em um produto ou serviço. A partir deste conceito, surge a ideia de lucro líquido e lucro bruto.

Enquanto o bruto é aquele que considera apenas os custos variáveis existentes, o líquido contabiliza tanto custos fixos quanto variáveis e pode ser determinado a partir da seguinte fórmula:

Lucro líquido = Receita Total – Custos Totais

Uma das possibilidades de aplicação do método dos múltiplos é adotar o lucro líquido como parâmetro de avaliação, na verdade, esta é apenas uma das formas, o que está longe de significar que sempre poderá ser aplicada. Afinal, existem empresas que valem alguns milhões ou bilhões e, no entanto, ainda não apresentam lucros em seu balanço. Esse ponto merece, inclusive, uma abordagem mais detalhada na sequência.

3 – Apenas empresas que apresentam lucro é que possuem algum valor

Conforme já exposto, o lucro é o valor recebido pela empresa que resta após o desconto de todos os custos incluindo impostos. É o objetivo da maioria dos empresários que optam por criar uma empresa e investir em uma ideia, mas o caminho até ele não é fácil. Ao iniciar uma empresa começando do zero, será preciso muita dedicação e investimento para, então, colher algum retorno, especialmente financeiro.

Encontramos inúmeras empresas no mercado que valem bilhões e, no entanto, ainda não se pode afirmar que deem lucro. Tal realidade pode parecer estranha, mas na verdade, é mais comum do que parece.

No caminho até uma realidade realmente lucrativa, a empresa precisa de uma grande quantidade de investimentos. Conforme ela vai se consolidando, para crescer ainda mais no mercado, será necessário um alto volume de reinvestimentos. Isso significa que o lucro recebido pela venda dos produtos ou serviços deve ser aplicado novamente na empresa, ao invés de ser partilhado entre os sócios. Ou quando a empresa ainda não gera lucro é necessário a captação de investimentos mediante dívidas (empréstimos), aporte dos sócios ou investidores. Vale lembrar que quando o custo da dívida é menor que o custo do capital próprio é mais interessante aumentar a dívida da empresa e injetar mais capital na operação do que simplesmente sócios fazerem aportes ou atrair investidores.

É assim, com os recursos desse reinvestimento, que as empresas vão aperfeiçoando seus produtos e conquistando ainda mais consumidores. Caso contrário, muito provavelmente, esse negócio ficaria estagnado sem jamais alcançar o valor de mercado além do que já possui.

Por tudo isso, ainda que a ideia de lucro esteja associada ao sucesso e a um valor de mercado maior, existem inúmeros casos em que isso não se mostra ser verdadeiro. Claro que não significa que todas as empresas que dão prejuízo possuem um valor de mercado alto, pelo contrário. O que se deve ter em mente é que não existe uma correlação necessária entre o valor de mercado e o lucro apresentado anualmente.

Perceba que se uma empresa apresenta prejuízos ano após ano, sem qualquer perspectiva de mudança desta realidade, ela está no caminho da falência. No entanto, o fato de não gerar lucro, por si só, pode ser apenas o resultado de um reinvestimento com foco na expansão do negócio e, em casos como este, a empresa terá seu valor.

4 – O principal concorrente da minha empresa foi vendido por R$ 3 milhões de reais, logo minha empresa vale a mesma coisa.

Um dos métodos de valuation, o da avaliação relativa, realmente é feito a partir de uma comparação entre empresas similares, atuando dentro de um mesmo setor, para, então, encontrar o seu valor justo de mercado. Neste caso, a aplicação do método relativo requer um cuidado extra, por parte do avaliador, no momento da seleção das empresas que servirão como parâmetro.

O fato de empresas serem concorrentes não significam que estão no mesmo momento do seu ciclo de vida ou mesmo que possuam valores similares. É necessário, antes de mais nada, comparar os números dessas empresas para ver se elas podem mesmo servir como base comparativa umas das outras, caso contrário, o método de múltiplos estará servindo como uma ferramenta de manipulação de resultados, comparando sociedades que nada têm em comum.

No caso de pequenas e médias empresas é mais complicado utilizar essa metodologia, porque para usar os dados (multiplicadores) seria necessário saber os detalhes da negociação de outras empresas de porte parecido, o que é extremamente complicado de se conseguir.

5 – A maneira mais correta para avaliar uma empresa é multiplicando seu faturamento por 10

O processo de valuation apesar de subjetivo, é pautado em teorias cuidadosamente formuladas e em uma análise dos dados e premissas das empresas objeto da avaliação. Isto significa que não existe uma fórmula infalível e rígida que sirva para a avaliação de qualquer empresa, indiscriminadamente.

Na verdade, muitas pessoas acreditam que existe uma fórmula mágica capaz de ser aplicada no processo de valuation, sem qualquer distinção, porém não há. Um dos grandes equívocos que um empresário pode cometer é acreditar nas fórmulas pré-concebidas de cálculo deste valor.

Ainda que bastante difundidas no mercado de consultoria, essas fórmulas “mágicas” são criadas de forma irresponsável por pessoas pouco profissionais. Decorrem de aplicações simplificadas de uma metodologia que não possui uma regra rígida.

Portanto, fique atento a essas fórmulas prontas e tenha em mente que um cálculo que funcionou para a empresa A não necessariamente resultará em um valor justo e preciso para a empresa B.

6 – Os donos ou sócios da empresa a conhecem em detalhes e, portanto, sabem o valor de suas empresas muito melhor do que um especialista

Certamente, os donos ou sócios de uma empresa a conhecem profundamente. Eles podem ter uma boa compreensão do seu produto, da equipe e das finanças, mas muitas vezes, pode faltar a eles elementos que tornem a avaliação de sua empresa mais adequada para a realidade do mercado.

Ao buscar a avaliação de um negócio, uma das recomendações mais importantes é que ela seja conduzida por um especialista imparcial. O fato de ser um profissional especializado no assunto resultará em uma análise profunda e de qualidade, onde o avaliador poderá aferir cada especificidade da empresa e considerá-la da forma correta dentro de um processo avaliativo. Por ser uma análise bastante subjetiva, a experiência no campo costuma expressar o diferencial entre uma avaliação cautelosa e outra descuidada.

Além disso, a imparcialidade é um fator que também possui um grande peso neste processo. O olhar de um dos sócios, ainda que tenha um valor muito importante pelo conhecimento que tem do negócio, também estará carregado de expectativas ou frustrações. As emoções e até mesmo seu interesse pessoal pode deixá-lo cego para aspectos da empresa que não estão funcionando ou que não trazem o retorno que gostaria, mas que são valiosos para ele.

Sem sombra de dúvida, os sócios devem participar do processo de avaliação, sem que estejam a frente dele. O conhecimento que possuem será fundamental nesta jornada de avaliação, porém, eles não podem se despir de suas expectativas e, portanto, ainda veem sua empresa com uma carga emocional que o avaliador não deve carregar.

Essas expectativas dos sócios também não podem ser desconsideradas, já que têm uma relevância para o valor da empresa. Imagine que você é um investidor e, ao conversar com um dos sócios, ele é capaz de te passar a confiança que tem em seu negócio, bem como demonstrar toda sua dedicação e empenho na construção do seu sonho.

Hoje, este comportamento é chamado de skin in the game, um termo popularizado por Warren Buffett e muito usado por investidores no mercado de ações, que está relacionado com a ideia de “arriscar a própria pele”. Quando um sócio tem skin in the game, ele está apostando alto naquela ideia. Isso fica claro pois quando ele deposita seu próprio dinheiro no negócio, além do seu investimento com trabalho, e, portanto, tem muito a perder, caso o sucesso não chegue.

Isto é um indicativo positivo, mas certamente, os números e o mercado devem refletir esta mesma positividade. Caso contrário, serão apenas expectativas e que podem ser notadas claramente por um terceiro imparcial, que não tem tanto a perder.

7 – O valor de uma empresa equivale ao montante que um comprador está disposto a aportar. Logo o valor de uma empresa não pode ser calculado através de alguma fórmula ou premissas.

A afirmação de que o valor de mercado de uma empresa corresponde ao que um comprador está disposto a pagar por ela não é totalmente equivocada. Ainda que exista um aspecto verdadeiro na frase, criou-se uma relação de consequência que está longe de ser correta.

Existem diversas metodologias aplicáveis no cálculo do valor de uma empresa. Em todas elas, haverá um grau de subjetividade inerente a este processo. Porém, o valuation sempre estará pautado em dados e premissas formuladas.

É claro que o processo de valuation não carrega um determinismo e pode acontecer do avaliador encontrar um valor que não corresponde ao preço que um determinado comprador está disposto a pagar. Nesse caso, o preço pago na transação será ditado pelos envolvidos (comprador e vendedor), que podem negociar ou mesmo desistir da operação.

Seguindo este raciocínio, vale lembrar que o valor de uma empresa não necessariamente equivale ao seu preço. Enquanto o preço é a quantia efetivamente desembolsada, o valor carrega um atributo imaterial, que pode ser até mesmo sentimental ou afetivo (e também o potencial de crescimento da empresa).

Por isso, existe uma falsa noção de que não é possível quantificar o valor. Tal ideia é, no entanto, equivocada. O que se deve ter sempre em mente é que o valor é flutuante e sofre interferências de inúmeras variáveis. Assim, quando falamos no valor de uma empresa, o subjetivismo que este conceito possui estará refletido no resultado final da análise de valuation.

O valor de uma empresa é, portanto, uma quantia intrínseca a ela que, mesmo com seu caráter subjetivo, não está exclusivamente baseado em um sentimento. Pelo contrário, o valor pode ser quantificado através de indicadores variáveis como o desempenho histórico da empresa, premissas que refletem seu potencial de crescimento.

8 – Tenho um valuation feito por um especialista, então posso utilizá-lo para qualquer fim, seja na partilha do divórcio, para conseguir um empréstimo no banco ou para determinar seu preço de venda

Como já mostramos, cada método utilizado no cálculo do valuation analisa a empresa sob um enfoque diferente. Cada perspectiva adotada pelo avaliador neste processo requer parâmetros diferentes e fórmula premissas específicas que são utilizadas exclusivamente para aquele fim.

Assim, é importante que, na primeira reunião entre avaliador e sócios, esses objetivos estejam bem definidos para que sejam considerados no momento da escolha da metodologia. Como dito, o valuation é uma análise subjetiva que, ainda que pautada em dados e premissas, está atrelado a uma carga grande de interpretação desses elementos.

Imagine que os sócios façam um valuation imaginando que sua empresa corre o risco de ter que fechar as portas. Espera-se, neste caso, que a liquidação da empresa é iminente e a aplicação da metodologia de liquidação pode ser a mais indicada naquele momento.

O primeiro aspecto que podemos apontar é que a metodologia de liquidação não considera os bens intangíveis que a empresa possui. Dependendo do ramo em que esta empresa atue, pode ser que seus bens mais valiosos sejam exatamente estes bens intangíveis.

Esse exemplo simples mostra como a motivação da avaliação, que geralmente será exposta pelo sócio no momento inicial deste processo, irá determinar toda sua condução e, em último caso, seu resultado.

9 – Fiz um valuation há 1 ano atrás e vou utilizá-lo como embasamento para vender minha empresa agora

A mesma ideia utilizada anteriormente quando tratamos do objetivo por trás do valuation também pode ser aplicada ao tempo transcorrido entre o laudo e o seu uso. A avaliação adota parâmetros em sua análise que correspondem a um momento específico e, como dito, com um propósito específico.

Imagine, portanto, que os sócios de uma empresa decidam avaliá-la pois entendem que ela está estagnada e não recebem o lucro que gostariam. Um ano depois, no entanto, assinam um novo contrato capaz de criar novas oportunidades de negócio, trazer investimentos e aumento do lucro.

Fica claro que esse contrato sequer existia no momento do valuation e, portanto, qualquer impacto que poderia ter sobre o valor justo desse negócio não será considerado. Neste caso, situações como esta podem ensejar o uso de um laudo de valuation desatualizado tanto com um valor a menor ou a maior.

10 – Meu negócio tem um potencial de crescimento muito grande e por isso estou pedindo um valor mais alto do que meu valuation

Não raro nos deparamos com empresários tentando obter um valor bem acima daquele encontrado em um valuation sob o seguinte argumento: “Meu negócio tem um potencial de crescimento enorme, basta…”. Neste momento, você já deve estar alerta. Não importa qual seja o fenômeno que o empresário pretenda incluir como decisivo para a valorização daquele negócio, ele ainda não existe.

É bem comum encontrar pessoas que dizem que basta um pequeno investimento e que o negócio vai deslanchar, outros apostam que falta um pouco de marketing, mas a realidade é que essa estratégia pode não passar de um blefe.

Ninguém sabe ao certo qual será o retorno que uma campanha de propaganda ou o investimento no aperfeiçoamento do produto ou serviço trará para a empresa. Utilizar esse discurso como forma de colocar um preço mais alto na empresa é apenas mais um exemplo de situação em que o preço e o valor não estarão correspondentes.

Outra situação corriqueira que encontramos é ouvir sócios que apelam para um suposto “potencial” do negócio ao ofertarem a venda, valendo-se disto para elevar seu preço. Tal prática deve ser analisada com toda cautela. Por óbvio que uma empresa pode realmente apresentar um potencial de crescimento astronômico, no entanto, um potencial não passa de uma mera expectativa e não deve ser encarado como certeza.

Por isso, não prospera o argumento de que atribuir um valor a essa expectativa e incorporá-lo ao valor justo de mercado seja uma simples matemática. Tenha em mente que esse acréscimo se torna um risco do negócio e não possui um embasamento fático, sendo fruto de mera subjetividade.

Esse tipo de discurso, normalmente, é originado por pessoas ligadas a empresa. Ainda que elas tenham um conhecimento profundo das nuances que faz a empresa X ser o que é, elas, invariavelmente, terão uma visão enviesada sobre o negócio. Caberá, neste caso, ao comprador sopesar o que está baseado em dados e quais são os aspectos que são fruto de suas expectativas sobre o negócio.

Conclusão

Ao final deste guia, esperamos ter abordado diferentes aspectos do processo de valuation de forma a torná-lo mais familiar ao pequeno e médio empresário. Sabemos como iniciar um negócio é um processo árduo e, muitas vezes, buscamos informações e encontramos dados esparsos, superficiais ou equivocados.

Nosso intuito é de que você tenha encontrado aqui as respostas às suas principais dúvidas sobre a avaliação de empresas, um mecanismo capaz de agregar um conhecimento profundo sobre o seu negócio, mas ainda pouco utilizado pelos pequenos e médios empresários.

Caso tenha encontrado nosso artigo pois precisava avaliar sua empresa não deixe de entrar em contato

Artigo elaborado e escrito por Paulo Eduardo Ballestrin em conjunto com Tatiana Freire.